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No Rio de Janeiro, Pezão vence uma disputa acirrada

By fernandag

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Luiz Fernando Pezão, com a sua familia, após votar em Ribeirão das Lajes. Na campanha, ele passou a imagem de um homem simples (Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo)

Luiz Fernando Pezão, com a sua familia, após votar em Ribeirão das Lajes. Na campanha, ele passou a imagem de um homem simples (Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo)

O governador do Rio de Janeiro derrota Marcelo Crivella no segundo turno

Político com fortes bases no interior do estado –foi vereador por dois mandatos e prefeito outras duas vezes em Piraí, cidade a 90 quilômetros do Rio, no vale do rio Paraíba do Sul–, Luiz Fernando Pezão (PMDB), 56 anos, conseguiu a façanha de descolar seu nome do de seu antecessor, Sérgio Cabral (PMDB), de quem foi vice-governador desde 2006, e elegeu-se com 55,78% dos votos válidos, contra 44,22% de seu oponente, o senador Marcelo Crivella (PRB).

Ao conversar com jornalistas, logo após o fim da apuração, Pezão agradeceu a seu antecessor. “Dedico a vitória a ele [Sérgio Cabral], que me escolheu como vice-governador e fez o governo que me levou a ter 41% no primeiro turno. O Rio de Janeiro é muito diferente de oito anos atrás. O Rio vive quase em pleno emprego, têm políticas públicas de referência, como as UPPs e UPAs, a Lei Seca. Ele fez com que o país fosse protagonista e farol do país. Fui eleito por isso! Sérgio Cabral foi meu grande inspirador. Meu eterno agradecimento a ele.”

Crivella não reconheceu a derrota. Quase duas horas depois do fim da apuração, apareceu no hotel onde se concentrava sua equipe, na zona sul carioca, e disse que advogados de seu partido continuam acompanhando 13 pedidos de cassação da candidatura de seu adversário, ainda não julgadas. “O PMDB está comemorando antes da hora. A disputa não foi justa”, disse.

Durante a campanha, não faltaram tentativas de seus adversários de ligar Pezão a Cabral.–Crivella chegou a chamá-lo de “Cabrão”, combinando o nome dos dois na tentativa de convencer os eleitores de que, ao escolhê-lo, manteriam seu antecessor no poder. Sérgio Cabral deixou o cargo, em abril, com o maior índice de rejeição entre os governadores. Pesquisa do Datafolha, feita no final de novembro de 2013, apontou que 38% dos cidadãos fluminenses consideravam a gestão do então governador ruim ou péssima; 39% classificavam como regular e 20% como bom/ótimo – três anos antes, 55% da população avaliavam a gestão como boa/ótima.

Cabral desapareceu durante a campanha. Desde que passou o cargo para Pezão, pouco foi visto. Mas reapareceu, sorridente, por volta das 18h35 de domingo, em um hotel na zona sul carioca, onde Pezão e sua equipe acompanhavam a apuração. O ex-governador chegou bem humorado e sorridente, mas não quis comentar o resultado. Estava com sua mulher, a advogada Adriana Ancelmo, e do ex-secretário da Casa Civil Régis Fichtner.

No hotel, os peemedebistas –Cabral entre eles– comemoraram cantando uma paródia de uma música cantanda no Maracanã pelos torcedores do Botafogo: “E ninguém cala/esse chororô/chora o Garotinho/ chora o Lindberg/chora o bispooô”.

O ex-governador foi um dos principais alvos das manifestações que ocorreram em todo o país a partir de junho de 2013. Enfrentou manifestações violentas na capital e em cidades da região metropolitana; teve que cercar com grades o Palácio Guanabara, sede do governo, que chegou a ser invadido por manifestantes; deixou o apartamento onde vivia, na quadra da praia do Leblon, área nobre da zona sul carioca, após sua esquina se transformar em um grande acampamento de jovens que, sob o mote “Fora Cabral”, pediam sua renúncia.

Imagens do governador em Paris, acompanhado pelo empreiteiro Fernando Cavendish (dono da construtora Delta, acusada pela Polícia Federal de desviar dinheiro público) e de um grupo de amigos que posavam com guardanapos na cabeça foram exibidas à exaustão. Também circularam sem cessar fotos do cachorro da família, o shitzu Juquinha, embarcando no helicóptero oficial para fins de semana na casa de veraneio em Mangaratiba, na costa verde fluminense.

Pezão conseguiu se manter distante disso. Seus estrategistas de campanha criaram a imagem de um homem simples, antítese de Cabral –sua mãe, dona Ecy, 83 anos, apareceu no horário eleitoral gratuito ao lado do marido, Darcy, 87 anos,contando que não tinha empregada doméstica. A campanha ficou mais agressiva no segundo turno. Pezão deixou de lado a imagem de homem simples e pacato e passou a atacar Crivella. Acusou o adversário de ser “testa de ferro” da Igreja Universal do Reino de Deus — o senador é bispo licenciado e sobrinho de Edir Macedo, fundador da igreja–, atacou a aliança entre Crivella e o deputado Anthony Garotinho (PR) e passou a afirmar que a violência aumentou quando Garotinho governou o Estado, de 1999 a 2002, e na época que em ele foi secretário de Segurança Pública, em 2003, no governo de sua mulher, Rosinha Garotinho.

Pezão conseguiu equilibrar-se bem até mesmo na acirrada disputa por apoios na campanha presidencial. Manteve-se fiel à Dilma, sem reclamar nem mesmo quando a candidata petista participou, em um mesmo dia, de carreatas ao seu lado e ao lado de seu concorrente, Crivella. Mas também fez vista grossa ao “Aezão”, apoio dos peemedebistas ao candidato tucano articulado pelo deputado estadual Jorge Picciani e por Francisco Dornelles, seu vice e primo de Aécio Neves. Meio caminho andado para quem pretende manter o apoio do governo federal em sua gestão.

 

Fonte: Época – 26/10/2014

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